Por Ágatha Branco
A possibilidade da transportadora obter informações onlie de sua frota, com detalhes sobre a localização, tempo restante para a carga chegar ao destino ou a performance do motorista, e que ao mesmo tempo auxiliem gestores a controlar os custos da frota e a melhorar a eficiência das operações, sem dúvida é o modelo de negócios desejado por pequenos e grandes frotistas, embarcadores e seguradoras.
Como as tecnologias de ponta desenvolvidas para localização, rastreamento e monitoramento de veículos, disponíveis no mercado, em um primeiro momento eram indicadas para segurança da carga e do caminhão, hoje a sua empregabilidade é muito maior, com diversas soluções e aplicações. E o software para o gerenciamento é a principal ferramenta de informação após a escolha da tecnologia embarcada.
Ricardo Imperatriz , diretor da GolSat, afirma que o veículo rastreado é comprovadamente uma ferramenta empresarial já que, “auxiliam empresários e gestores a controlar os custos da frota e melhorar a eficiência das operações”.
As gerenciadoras de risco são as principais usuárias desses softwares, desenvolvidos pelas empresas que atuam na área de equipamentos para rastreamento e monitoramento de veículos. Os softwares para o gerenciamento de carros, caminhões e cargas, dependendo da tecnologia embarcada, são parametrizáveis e têm características que são imprescindíveis na hora da contratação do serviço.
Francisco Gabriel, diretor da gerenciadora de risco Advance, afirma que a central de monitoramento utiliza os mais modernos sistemas de rastreamento oferecidos ao mercado nacional. “São empregados de acordo com a necessidade de nossos clientes, levando em consideração as condições obrigatórias das apólices de seguros do transporte rodoviário de carga, tipos de mercadorias, valores em risco e regiões de abrangência”.
Gabriel ressalta que “apesar de alguns rastreadores fornecerem software com capacidade de até mil unidades, isso pode ocasionar uma lentidão na base de monitoramento, constantes quedas no sistema e comprometimento de um link de boa qualidade. Os sistemas atuais permitem que sejam enviadas à base de monitoramento, posições de minuto a minuto, porém de nada adianta se a empresa que monitora não estiver bem estruturada”.
Porém, a gerenciadora não escapa de desenvolver seu próprio software. “Verificando as nossas necessidades internas e operacionais, desenvolvemos um software em conjunto com a Delta System, com a finalidade de implementarmos novas medidas preventivas e de segurança no que tange ao monitoramento do auto-carga, além de um novo produto voltado à logística de nossos clientes”, completa Gabriel.
Sandro Azevedo, superintendente comercial da Sascar, comenta que as gerenciadoras e seguradoras querem uma solução que reúna todas as funcionalidades do ponto de vista de segurança na viagem, para atender o Plano de Gerenciamento de Risco (PGR). “É importante ressaltar que o software é feito baseado nas funções do hardware”, explica.
O software também conta com funcionalidades como, por exemplo, a rota pré-definida para o caminhão seguir, e se por qualquer motivo ele sair da rota sem autorização, o software tem que tomar as ações de segurança. Outras funções indicadas por Azevedo são baseadas na inteligência embarcada: “são as funções pré-programadas no software e no hardware, e servem para que o equipamento instalado no caminhão, em uma situação de risco, tome a decisão sozinho. Por exemplo, se estiver programado, automaticamente é feita a proteção do caminhão, trava as portas do baú e ainda não permite parada do veículo sem solicitação prévia”, completa.
Além dessas informações é possível configurar uma série de eventos ao mesmo tempo, como funções importantes do sistema e possibilidade que sejam parametrizados eventos que indiquem potenciais roubos. A inteligência embarcada permite otimizar a operação da frota.
Integração de softwares
Com tantas tecnologias e empresas desenvolvedoras atuantes nesse nicho, fica difícil imaginar como integrar todos esses softwares. E esse é apenas um dos fatores que podem ajudar a vida do operador. Tony Geraldes, gerente comercial da Brasil Risk , afirma que “falta, por parte das empresas de tecnologia, uma integração maior com as gerenciadoras de risco, que são as empresas responsáveis pela utilização do sistema”.
“Empresas com diferenciais no software que permitam agilizar ou otimizar os processos podem ser balizadas por baixo, já que a integração vai permitir as funções básicas do software”, afirma Azevedo, que acredita que a integração não seria uma boa solução, já que o trabalho das empresas de tecnologias é reunir o máximo de necessidades, em termos de novas funcionalidades das gerenciadoras para incorporar ao software.
A integração é possível, mas é necessário um alto investimento. “Basicamente é a criação de uma matriz, reunindo todas as funções das tecnologias visando à padronização para o operador de monitoramento. Esta é uma definição simplista, pois existem tecnologias mais avançadas do que outras, mas já estão disponíveis alguns softwares no mercado que conseguem identificar tais diferenças”, explica Geraldes.
Embora saiba-se que o investimento é constante no aprimoramento das ferramentas, algumas empresas acabam segurando o momento certo para atualização dos softwares, conforme afirma Geraldes. “As empresas de tecnologia investem, mas precisam ter o retorno, então, com certeza já devem existir versões muito mais sofisticadas dentro dessas companhias, aguardando apenas o momento comercial adequado para serem lançadas”.
Um exemplo de integração é o SIAD (Sistema de Integração Advance), “que permite integrar os rastreadores à nossa central de operações, os transportadores e embarcadores, agilizando assim todo processo de informação sobre os auto-carga”, explica Gabriel.
As discussões entre integrar ou não os softwares estão em torno do ponto positivo, que é poder extrair o máximo de cada tecnologia, e negativo, que é o custo alto do recursos humanos para o treinamento de pessoal da central de monitoramento. “Com a adesão de um software integrador, com certeza os custos seriam reduzidos e a eficiência das centrais de monitoramento aumentaria significativamente. A ideia principal de um software integrador é, além de unificar a tela operacional e recursos de sistema, automatizar as funções preventivas que são muitas no modelo utilizado hoje, deixando para os operadores apenas as situações críticas”, completa Geraldes.
Olho na tela
A ferramenta humana ainda é indispensável e fica difícil imaginar que um único operador monitore, ao mesmo tempo, até 70 veículos divididos em quatro softwares diferentes em uma única tela, porém as gerenciadoras consideram o tipo de operação de acordo com a apólice de seguro, como é o caso da Brasil Risk. “Analisamos cada operação e de acordo com PGR/Apólice de Seguro, produto, áreas de risco podemos dimensionar a operação da forma mais segura. O máximo de veículos monitorados por operador em nossa empresa é de 40 veículos”, afirma Geraldes.
Ainda sobre o fator humano, se o operador não for bem treinado e não estiver ligado na tela do computador, algumas eventualidades podem acontecer durante o monitoramento, que podem ser de natureza humana, relacionadas ou à falta de procedimentos de um motorista ou desatenção do próprio operador.
Fatores que são de natureza tecnológica, como por exemplo área de cobertura, link inadequado e especialização de quadrilhas, que atuam nos constantes roubos de carga e na maioria dos casos já tomaram todo conhecimento das regras de seguro e do emprego dos rastreadores, fazendo as suas ações, previamente planejadas e organizadas.
Sobre os custos da licença do software, Sandro Azevedo informa que não são cobrados das gerenciadoras de riscos. “Temos por definição não cobrar o software das gerenciadoras, por serem parceiras estratégicas e quem paga é o cliente pelo serviço de monitoramento. Mas se o cliente quiser fazer uso da licença do software, é cobrado um valor”.
O custo da transportadora para gerenciar fica em torno de 180 reais por veículo monitorado, porém esse valor pode cair de acordo com a quantidade de equipamentos ou contratação de outros serviços da gerenciadora, ou ainda parcerias com a companhia de seguros da corretora.
Por isso todo cuidado é pouco e em caso de perda do sinal do equipamento embarcado, os procedimento são reestabelecer o sistema e acionar a polícia e uma empresa de escolta da região próxima à última posição indicada do veículo.
O mercado de gerenciamento de risco não se restringe apenas a equipamentos rodoviários ou cargas. Desde peças de grande porte, containers, e até pessoas estão na lista de possibilidades que podem ser monitoradas pelas tecnologias e softwares disponíveis. “Ainda existe um vasto mercado a ser explorado em nosso território”, finaliza Gabriel.
Software para gerenciamento
Cada empresa de tecnologia cria e desenvolve seu software de acordo com as aplicações do equipamento embarcado, porém na maioria a entrada das informações é igual, bem como os alertas. Com informações detalhadas e de fácil leitura é possível administrar no mesmo software, desde a ficha completa do motorista até os pontos da localização.
A seguir algumas imagens do software desenvolvido pela Sascar para localização, monitoramento e gerenciamento.
1. Visualização do grid, que informa a localização, velocidade, modelo do veículo e seis opções de campo livre para o operador adicionar novas indicações e o mapa para visualização dos veículos.

2. Configuração e criação de macros.

3. O software permite o cadastro completo de um motorista, podendo armazenar informações como data de contratação, tipo de habilitação, foto do condutor, entre outras informações.

4. Tela que mostra os relatórios necessários para um monitoramento e rastreamento completo do veículo. Relatórios como o de posição, comandos enviados, alertas, mensagens, entre outros.

5. Tela que permite a visualização das imagens obtidas pelas câmeras instaladas nos veículos.

6. Tela de informações gerais do veículo, além dos relatórios pode-se visualizar o tipo de equipamento e quais sensores e atuadores o veículo possui.

Abaixo algumas imagens do software desenvolvido pela GolSat para controle de custos da frota.
1. Manutenção: Lançamento das manutenções realizadas no veículo.

2. Regras de Alerta: Alertas que deseja receber via SMS e/ou via email.

Outros softwares utilizados pelas gerenciadoras de risco para a localização e o monitoramento de veículos:
Autotrac

Controlloc

Omnilink

OnixSat (JaburSat)

Imagens encaminhadas pela Brasil Risk.