*Por Ágatha Branco e Viviane Prestes. Esta matéria foi publicada na edição 14 da Revista InfoGPS, de dezembro de 2010.
Quando uma solução tecnológica aparece no mercado logo surgem outras tecnologias para desestruturar os códigos e causar panes no sistema, principalmente se envolvem produtos, como cargas ou dados confidenciais. Foi assim com os computadores, que foram infectados e hoje é impossível contar quantos vírus circulam diariamente nas redes. Com os rastreadores de veículos, baseados em CDMA/GPRS, não foi diferente. O jammer é um equipamento largamento usado por criminosos no roubo de cargas. Ele inibe o sinal entre o caminhão e a central de monitoramento. Mas, então o que fazer para evitar que esse tipo de situação aconteça?
Entidade testa dispositivos
O Cesvi (Centro de Estudos Automotivos) realizou testes em campo, durante oito meses, para comprovar a eficiência dos aparelhos rastreadores disponíveis no mercado contra o jammer. De acordo com o resultado divulgado pela entidade, as 300 marcas que foram submetidas ao teste não conseguiram ser imunes ao aparelho invasivo. Paulo Roberto Weingartner , analista técnico da Cesvi, confirma o resultado e ressalta que os equipamentos baseados na radiofrequência não foram testados. “Nós usamos o jammer específico para CDMA e GPRS e constatamos que nenhum aparelho estava imune ao sinal de perturbação do jammer”, diz Weingartner.
O centro adquiriu o jammer para a realização de pesquisas, devidamente autorizadas por autoridades legais. Esse equipamento foi desenvolvido para aplicações que exijam o bloqueio do sistema de comunicação de um determinado local, como para bloquear toda a telefonia móvel da região, similar aos utilizados em presídios.
As empresas fabricantes de equipamentos de rastreamento estão buscando desenvolver produtos imunes à ação do “jammer”. Entretanto, até o momento, todos os equipamentos testados pelo Cesvi Brasil, mais de 300 marcas, não conseguiram ser imunes ao jammer.
Como funciona o Jammer
O modelo mais utilizado funciona criando um sinal (ruído) em banda larga – BBN (Booardband Noise Jamming) – em que o circuito interfere nas bandas de comunicação presentes na telefonia móvel nacional. O “jammer” realiza uma interferência (perturbação) entre o veículo e a antena operadora – o que provoca a perda de comunicação com a rede de telefonia móvel.
No telefone celular, quando uma ação dessas ocorre, o display apresenta as seguintes mensagens: “fora de serviço”, “procurando rede”, ou algo similar que evidencie que o aparelho está sem comunicação. É quando o aparelho fica inoperante, e o infrator pode definir uma rota para o veículo, sem que a central de monitoramento possa rastreá-lo.
Outro ponto a ser destacado é que o ‘jammer’, instalado em um veiculo, chega a inibir também o sinal de rastreamento e bloqueio de veículos em um raio de, em média, 10 metros, dependendo de sua potência.
Alon Lederman, diretor comercial da Ituran do Brasil, conta que o jammer é um equipamento que causa uma interferência nos sistemas de rastreamento que operam pela comunicação móvel celular, provocando a perda da comunicação entre o rastreador GPS/GPRS, instalado no veículo, e a rede de telefonia móvel. “Como a tecnologia de radiofrequência não utiliza a rede das operadoras de celular, os jammers não conseguem bloquear a comunicação via radiofrequência”explica Lederman.

Central de monitoramento da Ituran (Foto: Ituran)
A empresa conta com antenas próprias e tecnologia resistente a interferências. “Esta tecnologia também está presente no rastreador sem fio da Ituran. Com seu tamanho reduzido e de fácil instalação (motos, carros, caminhões) e até em cargas”, completa Lederman.
Soluções
Paulo Rodrigues, diretor da Autosat, ressalta que os equipamentos da Autosat têm detectores de jammer, são baseados em radiofrequência além de que as empresas trabalham com um sistema de rastreamento, e não com rastreadores isolados. A ‘Arquitetura Distribuída’ é um dos principais sistemas usados pela empresa e que segundo Rodrigues garante mais segurança. A empresa usa um sistema de módulos inteligentes interligados do veículo. Ele também aponta que há uma concepção errada de que os comunicadores satelitais não são jameáveis. Uma das soluções viáveis ressaltada por ele é o sistema de radiofrequência, que na e empresa tratam-se de módulos físicos separados porém interligados através de um sistema. Para o diretor da Autosat é preciso aliar estratégias tecnológicas e técnicas, incentivando o setor de engenharia a construir novas soluções para esse tipo de problema.
O ideal é impedir a produção e venda desse tipo de produto. “Hoje com duzentos reais qualquer um pode comprar um aparelho deste. Minimizar a entrada e a comercialização desse tipo de equipamento já caberia em uma estratégia de combate e segurança nas fronteiras. Ainda é preciso um gerenciamento de riscos mais efetivo, oferecer soluções de inteligência, proteção mecânica, eletrônica e de comunicação. Investir em tecnologia, principalmente no setor de engenharia”, explica Rodrigues.
Alexandre Cifarelli , Gerente de Marketing & Comunicação da Zatix, conta que a Ominilink empresa que faz parte do grupo, lançou na Fenatran de 2009, uma solução antijammer que não simplesmente detecta o sinal, como executa ações integradas ao sistema. “A solução faz com que possam ser tomadas ações preventivas. No momento que o rastreador detecta a ação de um jammer, o equipamento executa ações sozinhas, já programadas para este tipo de situação. Não é um serviço adicional, já está incluída no hardware, para equipamentos adquirido após 2009”, completa.
Cifarelli conta que essa solução foi desenvolvida para caminhões e cargas, não para veículos de passeio, onde o equipamento instalado é mais simples. “O ladrão que rouba carga ou caminhão não é o mesmo que rouba um carro de passeio, por isso nosso foco para esta solução está integrada em equipamentos para caminhões, frotas e cargas” explica.
Em outubro de 2010 a Findme, lançou um rastreador satelital, que segundo informações do diretor da empresa, Theodoros Megalomatidis, dispensa instalação elétrica, e que não é afetado por jammer GSM
“Como o rastreador é compacto e não precisa de instalação elétrica pode ser usado de forma discreta em contêiner e carretas sendo uma ótima opção para sistema de backup ou mesmo principal. Além disso, seu uso pode ser alterado entre os veículos da frota sem qualquer custo adicional reduzindo o investimento do cliente”.
O rastreador mede 18,0 x 9,0 x 2,0 centímetros, incluindo as antenas e baterias, pesa apenas 380 gramas, tem duas portas para sensores, funciona com bateria de lítio, tem sensor de movimento interno, programação de cercas eletrônicas embarcadas e possibilita diversas programações de operação sendo que a mais usada é de uma localização a cada trinta minutos quando está em movimento e um a cada oito horas quando está parado.
Redundância
Segundo Lederman, as vendas de tecnologia de radiofrequência da Ituran vêm crescendo exponencialmente, “somente no ano de 2010 foram instalados mais de 80 mil equipamentos, um crescimento de 30% em relação ao ano de 2009”, afirma Lederman.
A vantagem da tecnologia de radiofrequência é o fato de ser imune aos jammers e possibilitar a localização do veículo até em locais cobertos e fechados, ideal para os centros urbanos.
Marcelo Orsi, gerente de marketing da Tracker do Brasil, afirma que hoje a empresa atua com duas principais tecnologias, GPS/GPRS focado para transporte e logística e radiofrequência para furto e roubo de veículos. Para Orsi o jammer foi visto como uma oportunidade de crescimento no mercado de tecnologia embarcada por radiofrequência., que acaba funcionando como uma opção de redundância que “hoje é muito comum uma frota contar com tecnologias e empresas diferentes , monitoramento e gerenciando a sua carga ou caminhão”, afirma.
As empresas de tecnologia embarcada investe milhões para criar novos dispositivos com o intuito de inibir roubos, de melhorar a logística e precisão dos atendimentos. E para atender um mercado cada dia mais exigente por tecnologias que sejam precisas em suas informações e que demonstrem segurança em caso extremos.
Evitar o roubo de uma carga não é uma tarefa fácil, pois os ladrões são mais especializados. Por isso as empresas do mercado de rastreamento investem milhões em desenvolvimento de novas tecnologias, serviços e produtos para atender às necessidades do mercado.
Segundo Lederman, engenheiros da Ituran na matriz em Israel estão em constante desenvolvimento.
Orsi enfatizou que o investimento em pesquisa faz parte de um conjunto de operações realizadas pela Tracker do Brasil.
Cifarelli também informou sobre investimentos em tecnologia, segundo ele o desenvolvimento da solução de detecção do jammer levou alguns meses para ser desenvolvida. “ Não basta apenas detectar, tivemos que automatizar ações pós detecção, o que gerarou meses de investimento e estudo na tecnologia”, disse.
Quanto Custa
• A Ituran possui uma solução que utiliza as duas tecnologias: GPS/GPRS e RF. Esta solução é comercializada no formato de comodato, onde só é cobrado o valor da instalação de 199 reais e mensalidades a partir de 99 reais. Não existe custo do equipamento.
• O equipamento satelital da Findme custa 980 reais e a taxa mensal varia de 50 reais a 159 reais e não tem custo de instalação.
• A Tracker do Brasil informou que a adesão custa 999 reais* e a mensalidade 129 reais*.
• As soluções antijammer da AutoSat variam em 1.5 mil reais aparelhos com bloqueio mais 1.2 mil reais aparelhos com a comunicação satelital.
• As soluções Omnilink com antijammer estão a partir de 3 mil reais e a licença de uso mensal a partir de 140 reais. Essa solução não é cobrada a parte, faz parte dos rastreadores Omnilink com inteligência embarcada.
O custo de cada produto está relacionado com a tecnologia de localização, por isso existe uma grande variação entre uma ou outra marca. Vale lembrar que cada solução é indicada para um tipo de uso, seja no centro da cidade, seja nas estradas brasileiras.
*Os valores estão sujeitos à alteração.