O segredo do sucesso
6:01 pm em Edição 14, Edições, Marcos Rodrigues, Notícias, Rastreamento, Seções das Edições por InfoGPS
*Por Marcos Rodrigues (marcos@kretta.com.br). Este artigo foi publicado na Revista InfoGPS nº 14, em dezembro de 2010.
Muitos anos atrás eu conversava com um senhor na ponte aérea, rumo ao Rio de Janeiro. Era o CEO da rede McDonald’s, que iniciava seus serviços no Brasil. Ele me perguntou se sabia a que se devia o sucesso da rede. Disse:
- Sim, claro. Aos bons hambúrgueres.
- Não, à nossa gestão imobiliária, valorização de pontos, aluguel para franqueados etc. E em segundo lugar? Insistiu ele.
- Hambúrguer, claro.
- Não, disse ele. Prestar serviços para os franqueados. Hambúrguer, vem depois, é o que se vê de fora. Demorou para o McDonald’s descobrir, lá atrás, que nosso negócio se sustentava no imobiliário e nos serviços. Não foi fácil, disse ele.
Esta história me vem à mente quando contemplo as empresas de rastreamento. Pergunte a uma empresa onde ela se sustenta. As respostas serão variadas: rastreando veículos, recuperação de veículos, gerenciamento de frotas, apoio a processos logísticos, entre outros. Estas não são respostas erradas, são apenas enganosas.
As empresas de rastreamento não são todas iguais, têm vocações, portes e origens diferentes. São variadas, mas não muito. Como ocorre a decolagem de uma empresa de rastreamento?
Com raras exceções, as empresas mais antigas nasceram da percepção de que se podia conectar um receptor GPS a uma placa de celular e implantar a comunicação entre veículo e um servidor de dados. E que, então, se podia visualizar o veículo sobre o mapa e oferecer uma gama de serviços associados à localização. Em nosso país preponderou o foco na segurança.
Foi assim que iniciaram a maioria das empresas. Hoje começam outras, com rastreadores sofisticados. Pequenas empresas, com poucos clientes. Com propósito ainda não muito definido. Carga? Casco? Logística? A resposta formal pode ser uma, mas não se discute que o importante é aumentar logo a carteira de clientes. É preciso crescer, logo. Decolar. Vendas é a primeira turbina do sucesso, não surpreende.
Mas o mundo tecnológico é rápido. A todo tempo aumentar a oferta de rastreadores, e despenca o preço. É natural que a empresa adote um novo rastreador. Melhor, mais barato ou com novas funcionalidades. É nesse momento que é dado o primeiro passo da empresa rumo à complexidade, não antevista.
Nova tecnologia embarcada significa novos processos de instalação, qualificação de instaladores, habilitações e muito mais. Significa manutenção de novos equipamentos, protocolos de comunicação, estoques. Crescimento significa gestão de equipes maiores, gestão de contas, rastreadores diversos rodando por todo país e sua notória heterogeneidade territorial, técnica e de serviços. Há que assegurar a manutenção destes rastreadores. Não podem ficar fora do ar. Caminhões não podem esperar. As questões de logística e segurança são sérias, com graves responsabilidades que podem levar a processos jurídicos.
A empresa, então pequena, gradualmente passa a lidar com vários tipos de rastreadores e gere seus veículos com vários softwares, não integrados. Começam a surgir os problemas de instalação, de agendamento e validação da instalação, de manutenção, de cobrança, etc.. Cresce o call center, aumentam os problemas de supervisão de sistemas. Problemas que não eram relevantes na empresa, pequena e jovem, passam a ser críticos.
Expande a demanda por soluções que atendam a nova variedade de clientes. A complexidade aumenta muito e as soluções naturalmente vêm da Tecnologia de Informação (TI). Cresce a área de TI na empresa. Às pressas, muitas vezes desarticuladamente. Mas a empresa tem que lidar com novas questões de uma maneira eficaz, segura e duradoura que permita o crescimento com qualidade. TI é a segunda turbina do sucesso, não pode ser outra.
Assim decola uma empresa de rastreamento e quem assegura seu crescimento sustentável é, de um lado, vendas e de outro TI. Há outros fatores, claro, mas são outros fatores.










