Por Viviane Prestes
Com o time em campo, os aparelhos GPS entram no jogo e, agora, para decidir. Aliar tecnologia ao futebol sempre foi uma polêmica para os profissionais desse esporte, pois alegavam que o uso de dispositivos mais precisos poderiam tirar a emoção das partidas. Mas os GPS passaram pela marcação, driblaram o goleiro e entraram de vez no gol. Um a zero para a tecnologia.
Esses dispositivos se tornaram indispensáveis para os grandes times, que investiram nos sistemas de localização para controlar melhor o desempenho de seus jogadores. Com a incorporação dos GPS nos treinos fica mais fácil analisar as distâncias percorridas, a localização do jogador no campo e em que local e velocidade exata o atleta estava na hora do deslocamento, o que, segundo Antônio Carlos Gomes, consultor científico do Corinthians, ajuda a melhorar o próprio desempenho do atleta. “Com GPS, o preparador físico pode calcular distâncias, pois esse aparelho é preciso, diminuindo a probabilidade de erros”, ressalta.
Alguns dos principais times brasileiros já adotaram o sistema: São Paulo, Cruzeiro, Internacional, Corinthians, Palmeiras e também a Seleção Brasileira de Futsal. De acordo com Antônio Carlos Fedato Filho, proprietário e fisiologista da consultoria em ciência no esporte, Fedato Esportes, “GPS é uma ferramenta a mais para medir volume de treino, mensurar distâncias, intensidade, velocidade, o que antes era mais difícil sem a ajuda desses equipamentos”. No entanto, Fedato afirma que o uso dos aparelhos de localização no futebol é algo novo, depende do fisiologista que decide adotar o sistema e que no Brasil apenas os grandes times usam os aparelhos. Em média, um jogador de futebol chega a correr 130 quilômetros em um mês, de acordo com Fedato.
A Federação Paulista de Futebol também adotou o sistema para árbitros do Paulistão. Segundo dados da Fedato Esportes, os juízes monitorados por GPS no campeonato paulista, chegam a percorrer uma distância de 10 a 11 quilômetros por partida.
O GPS no futebol tem sido largamente utilizado fora do Brasil, sobretudo na Europa. O sistema desenvolvido pela empresa espanhola RealTrack Systems, o Realtrack Futbol, é um aplicativo que registra dados em tempo real e ajuda treinadores, preparadores e reabilitadores físicos a otimizar o rendimento diário dos jogadores, em partidas e sessões de treinos. Como explica Isabel Pérez Segura, gerente da RealTrack Systems, “consideramos muito interessante o uso do GPS no futebol; semelhante a qualquer outra disciplina esportiva, a análise da técnica e das variáveis fisiológicas desperta grande interesse, mas se esta informação for aliada a outras, como cinemáticas (movimentos do corpo humano) e táticas, aprimora-se ainda mais a possibilidade de análise, principalmente porque a posição espacial é um parâmetro fundamental quando se trata de futebol”. O dispositivo é colocado nas costas do jogador, que pode treinar normalmente enquanto o corpo técnico da equipe monitora os dados em tempo real. A empresa está investindo em uma nova versão do produto, que será o “wimu”, um dispositivo wireless, composto por uma série de sensores, que incluirá GPS/Galileo; e o “qüiko”, aplicativo no qual serão exibidos os dados. “Continuaremos usando o sistema de navegação GPS e ainda vamos complementar com técnicas como o RTK (Real-Time Kinematic), que normalmente não é usado em âmbito esportivo”, complementa. O RTK consiste em um sistema de correção de dados, nos navegadores, em tempo real.
Para o jogo ser mais preciso ainda, e sem perder a emoção, está em desenvolvimento a CTRUS, a bola do futuro. O novo conceito de bola está baseado em uma câmara transparente, que dispensará o uso do ar, e que irá carregar um dispositivo GPS, ou um chip RFID.
Alberto Villarreal, diretor de produto e design da agência mexicana AGENT, desenvolvedora do produto, diz que são apresentadas poucas soluções no mercado do futebol, e afirma que a CTRUS irá trazer mais precisão nas partidas, ajudando nos lances mais difíceis. “Algumas mudanças não foram feitas no futebol devido a vários fatores, entre eles a política. Estamos buscando parceiros, e em aproximadamente dois ou três anos o projeto estará concluído”, completa. Alberto ainda adianta que o preço da CTRUS vai ser acessível, cerca de 300 dólares para uso profissional e 50 para amadores.
“O futuro dos GPS, e de outras tecnologias, no esporte é promissor. Essas inovações vão acabar com as polêmicas, irá ajudar nas estatísticas dos jogos e será muito importante em treinamentos”, finaliza.